
Cinco projetos desenvolvidos na rede pública estadual de ensino representam Sergipe na Feira Internacional de Ciência e Tecnologia (Cientec 2025), realizada no período de 24 a 28 de novembro, em Lima, no Peru. As iniciativas, conduzidas por estudantes dos Centros de Excelência João Figueiredo Barreto, Atheneu Sergipense e Hamilton Alves Rocha, estão entre os 100 trabalhos científicos e tecnológicos mais bem avaliados pela comissão internacional do evento, reforçando a qualidade da educação profissional, da pesquisa e da inovação produzidas nas escolas da rede estadual.
As alunas Aline Ferreira Santos, Maria Caroline Damázio e Vivian Luciana Chantel Sena, do Centro de Excelência João Figueiredo Barreto (JFB), localizado no Centro de Aracaju, participam com o projeto ‘Ecoembalagens de Fibra de Coco’, desenvolvido no âmbito da educação profissional e tecnológica. A pesquisa surgiu a partir da observação do acúmulo de resíduos de coco verde descartados na Orla da Atalaia. Utilizando fibras e pó da casca do coco, material abundante e pouco aproveitado, as estudantes desenvolveram protótipos de embalagens biodegradáveis destinadas ao setor hortifrutigranjeiro. Leves, resistentes e totalmente biodegradáveis, as ecoembalagens constituem uma alternativa sustentável às embalagens plásticas tradicionais, alinhando-se a práticas de economia circular e valorização de recursos locais.
O Centro de Excelência Atheneu Sergipense integra a delegação sergipana com dois projetos selecionados. O primeiro, ‘Desenvolvimento de aventais térmicos utilizando polímeros naturais como bagaço de cana e fécula de mandioca’, utiliza resíduos agroindustriais na produção de aventais térmicos sustentáveis, voltados para as merendeiras das escolas públicas. A proposta busca promover segurança no trabalho e, ao mesmo tempo, fortalecer a consciência ambiental. O projeto é desenvolvido pelos estudantes Anne Beatriz Ferreira Ribeiro, Gervásio Santhiago Santos de Oliveira e Guilherme Rolemberg Ramos, sob orientação das professoras Patrícia Soares de Lima e Iranci Batista Gois Tommasi.


O segundo trabalho do Atheneu, ‘Desenvolvimento de esponjas biodegradáveis utilizando fibra de coco: uma alternativa sustentável às esponjas de plástico’, apresenta soluções ecológicas para uso doméstico e institucional. Participam os estudantes Júlia Pereira Fraga, Lucas Thierrys de Almeida Santos e Melissa Sá Martins, sob orientação da professora Cristiane de Campos Lemos Moreira e coorientação do professor Everton Ricardo Silva Santos.
O Centro de Excelência Hamilton Alves Rocha, localizado em São Cristóvão, completa a delegação sergipana também com duas pesquisas. O projeto ‘Compostagem Inteligente’ propõe a aplicação da técnica Takakura para o tratamento de resíduos orgânicos cozidos provenientes das sobras das refeições escolares, materiais que não podem ser utilizados em compostagens tradicionais. A proposta transforma esses resíduos em adubo natural, oferecendo uma solução sustentável para hortas e jardins da escola. Participam os estudantes Letícia dos Santos, Maria Luana Aragão dos Santos e Maria Eduarda Gomes dos Reis Santos, sob orientação das professoras Patrícia Fernanda Andrade e Ana Gardênia Santos Mangueira, com colaboração do técnico agropecuário Matheus da Silva Goes.
O segundo projeto do Hamilton Alves Rocha, ‘Blendas de Esponjas Verdes para Tratamento de Águas Cinzas’, investiga soluções para o reaproveitamento da água proveniente de máquinas de lavar roupas. Desenvolvido pelos estudantes Adryam Daniel Ferreira da Conceição Souza e Nelson Victor Silva Santos, sob orientação da professora Patrícia Fernanda Andrade, o estudo desenvolveu blendas de esponjas verdes com desempenho semelhante ao de agentes tradicionalmente usados no tratamento de águas, como sulfato de alumínio e óxido de cálcio. Além dos resultados ambientais, o trabalho promoveu o desenvolvimento de competências laboratoriais e de trabalho em equipe entre estudantes do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio.


Impressões
Para a professora de Química Darcylaine Martins, a presença das estudantes na Cientec confirma o alcance da educação realizada em Sergipe. “A participação dos estudantes sergipanos na Cientec representa um marco para a divulgação científica das nossas escolas e serve de incentivo para outros estudantes da rede pública, mostra que é possível produzir inovação dentro da escola pública e transformar realidades a partir da ciência”, afirma.
A estudante Aline Ferreira Santos destaca o impacto pessoal da pesquisa. “Pesquisar, testar e melhorar me faz sentir parte do progresso. Criar ecoembalagens e ver nosso trabalho cruzar fronteiras é algo que eu nunca imaginei. Ir à Cientec é levar nossa escola e nossa voz para um espaço global”, relata.
Já Maria Caroline Damázio ressalta o impacto da formação profissional. “Eu não sabia que faria ciência. Hoje, entendo que posso criar soluções reais e sustentáveis dentro da escola pública”, frisa.
Vivian Luciana Chantel Sena reforça que “a inovação não depende de laboratórios caros, mas de curiosidade e compromisso. Mostrar ao mundo um produto feito com resíduo do nosso litoral é uma grande responsabilidade social”.
A presença dos cinco projetos sergipanos na Cientec 2025 reafirma o compromisso da educação pública estadual com a inovação, a sustentabilidade, a pesquisa aplicada e a formação integral de jovens pesquisadores. A experiência internacional amplia horizontes, fortalece trajetórias e demonstra que a ciência produzida nas escolas da rede pública estadual de Sergipe tem qualidade para dialogar com o mundo.
Fonte: SEED/SE










