
A Polícia Civil de Sergipe desmontou a farsa de um narcotraficante que se passou por morto para escapar da Justiça e continuar comandando uma organização criminosa com atuação interestadual e internacional. Adriano Pereira Cosmo, de 44 anos, conhecido como “Puff”, foi preso no último dia 23, em um condomínio de luxo às margens de um lago, no município de Paranapanema, interior de São Paulo, após um trabalho de inteligência que contou com a identificação técnica realizada pelo Instituto de Identificação de Sergipe.
Apontado como líder de uma rede criminosa com ramificações na Colômbia, Bolívia e Paraguai, o investigado foi localizado a partir de ações conjuntas do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial da Polícia Civil de Sergipe, em integração com forças de segurança paulistas.
A prisão foi executada por equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, em cumprimento a mandados expedidos pela Justiça Estadual de Sergipe e pela Justiça Federal de Foz do Iguaçu (PR), com acompanhamento direto do Cope.
Segundo o diretor do Cope, Dernival Eloi, o criminoso utilizou documentos fraudulentos, incluindo uma falsa certidão de óbito, numa tentativa de extinguir processos judiciais e se manter fora do radar das forças de segurança.
“O trabalho técnico de identificação foi decisivo. A fraude documental foi detectada, os mandados permaneceram válidos e conseguimos chegar ao paradeiro dele em São Paulo”, destacou.
Além dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, Adriano Cosmo possui um extenso histórico criminal, com condenações por homicídio, porte ilegal de arma de fogo, lavagem de dinheiro, falsificação e uso de documentos falsos.
Operação Hibernação Final
A prisão integra a Operação Hibernação Final, deflagrada após informações de inteligência apontarem que o investigado estaria escondido no local para passar as festas de fim de ano. As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Sergipe indicaram que “Puff” exercia papel de liderança em uma célula criminosa responsável por grandes carregamentos de entorpecentes.
Em ações anteriores relacionadas ao grupo, já haviam sido apreendidos cerca de 400 quilos de cocaína e 200 quilos de maconha, evidenciando a dimensão interestadual e internacional da organização criminosa.
Para o delegado-geral da Polícia Civil de Sergipe, Thiago Leandro, a prisão demonstra a eficiência da atuação integrada.
“É uma investigação complexa, que ultrapassou fronteiras estaduais e internacionais. O resultado reforça a capacidade técnica da Polícia Civil de Sergipe e a importância da cooperação entre forças de segurança”, afirmou.
Divulgação de foragido ligado à organização criminosa
Como desdobramento da Operação Hibernação Final, a Polícia Civil de Sergipe também divulga o nome e a imagem de Ediraldo de Assunção Dias, conhecido como “Andinho”, considerado foragido da Justiça e apontado como integrante da mesma organização criminosa.

Ediraldo teve a identidade confirmada após trabalho técnico da Polícia Científica de Sergipe, por meio do Instituto de Identificação. Durante diligências realizadas em abril de 2025, no município de Itaporanga d’Ajuda, um investigado conseguiu fugir no momento de uma abordagem policial, ocasião em que foram apreendidos mais de 200 quilos de maconha, além de documentos, balança de precisão e outros materiais ilícitos.
A partir desses vestígios, exames papiloscópicos permitiram confirmar que o homem que fugiu tratava-se de Ediraldo, antigo parceiro do líder da organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, ele já foi preso em operações anteriores ao lado de “Puff” e segue sendo procurado.
Fraudes documentais e atuação do Instituto de Identificação
No enfrentamento às fraudes documentais, o diretor do Cope ressaltou o esforço permanente das forças de segurança de Sergipe para coibir a emissão irregular de documentos e interromper o uso de identidades falsas por integrantes de organizações criminosas, a exemplo da Operação Fênix, deflagrada em 2018.
A operação resultou em uma intervenção no Instituto de Identificação de Sergipe e no aperfeiçoamento dos mecanismos de controle, fiscalização e verificação biométrica, fortalecendo a capacidade técnica do estado para detectar fraudes e subsidiar investigações criminais complexas.
O diretor do Instituto de Identificação de Sergipe, Jenilson Gomes, explicou que a missão do órgão é responder, de forma técnica e científica, à identificação civil.
“Apenas em 2025 foram analisados mais de 500 casos semelhantes, nos quais foi necessário confrontar documentos apresentados com os arquivos físicos e biométricos do Instituto, que reúne mais de 300 prontuários históricos. Nesse caso, a análise permitiu identificar divergências e confirmar a real identidade do investigado”, afirmou.
A Polícia Civil de Sergipe reforça que informações que possam contribuir para a localização de Ediraldo de Assunção Dias, o “Andinho”, podem ser repassadas de forma anônima e segura por meio do Disque-Denúncia 181.
Durante a execução da Operação Hibernação Final, também foram apreendidos telefones celulares e dois veículos em posse do investigado preso. Por motivos de segurança, o local onde ele permanece custodiado até a transferência para Sergipe não foi divulgado.










