Comerciantes são proibidos de vender em frente à igreja em Aracaju

Discussão foi registrada em vídeo, as falas do padre geraram críticas e repercussão nas redes sociais

Comerciantes foram impedidos de vender produtos em frente à Paróquia do Perpétuo Socorro, localizada no conjunto Orlando Dantas em Aracaju. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o padre Marcelo Conceição, da Paróquia do Perpétuo Socorro, conversa com os vendedores e questiona a permanência deles em frente à igreja.

Nas imagens, o padre afirma que não permite a venda de produtos no local e argumenta que a presença dos ambulantes poderia transformar a entrada da igreja em uma ‘feira’. “A calçada é da igreja, é minha. Eu já liguei para a Emsurb (Empresa Municipal de Serviços Urbanos) e, se vocês acabarem insistindo, eu acabo com a missa da quarta-feira”, diz o religioso.

Os comerciantes, por outro lado, afirmam que trabalham em via pública e contestam a posição do pároco. Ainda na gravação, uma vendedora relata estar triste com a situação e pede para ser ouvida, ao que o padre responde: “Guarde sua tristeza para você”. O vídeo também mostra os ambulantes argumentando sobre se mudarem para a calçada ou fazer um possível cadastro, porém o padre nega e reforça que precisa evitar que o local “vire uma feira”.

O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, gerando críticas e debates sobre o uso do espaço público e a abordagem adotada durante a discussão.

O que diz a Arquidiocese

A assessoria de comunicação da Arquidiocese de Aracaju informou que o caso ainda está sendo analisado. O Portal Infonet não conseguiu o contato do padre, mas permanece à disposição do pároco, através do e-mail [email protected].

O padre emitiu um comunicado a um veículo de imprensa; Segue abaixo:

“Meus filhos e minhas filhas na fé,
Na quarta antes do início da missa, um vídeo com uma fala minha circulou e causou inquietação em muitos corações.
Quero falar como pastor.
Naquele momento, diante de uma situação de tensão na frente da igreja, usei uma expressão que não foi feliz ao mencionar a possibilidade de acabar com a missa de quarta-feira.
A missa não é minha. A missa é de Deus. É o lugar onde tantos encontram consolo, força e esperança.
Se minhas palavras causaram dor ou escândalo, peço perdão com humildade.
Também reconheço o valor de cada trabalhador que busca o seu sustento com dignidade.
Nosso caminho não é o confronto. É o diálogo, é a paz, é a caridade.
Seguiremos celebrando nossa missa de quarta-feira, como sempre, com fé renovada.
Rezem por mim, como eu rezo por vocês.
Que Deus nos conceda sabedoria e serenidade.”

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