Faixa de Gaza: Hamas ameaça reféns após operação de resgate em Nuseirat

Noa Argamani, 26 anos, foi surpreendida pelas pancadas na porta do cativeiro, em um prédio no coração do campo de refugiados de Nuseirat (centro da Faixa de Gaza). Às 10h (4h em Brasília) deste sábado (8/6), uma voz gritou do outro lado: “Somos das IDF (Forças de Defesa de Israel) e viemos resgatá-la”. Horas depois, a israelense cuja foto viralizou, ao ser levada para Gaza na garupa de uma motocicleta por extremistas do Hamas, soprou a vela do bolo de aniversário do pai, Yaakov, e teve um encontro reservado com a mãe, Liora, paciente terminal com tumor no cérebro.

Além de Noa, a unidade de elite da polícia contraterrorismo Yamam, agentes do Shin Bet e cerca de 100 soldados das IDF resgataram Almog Mir Jan, 22; Shlomi Ziv, 41; e Andrey Kozlov, 27. De forma simultânea, dois edifícios usados para manter os reféns foram invadidos pelas forças de Israel. Noa estava em um dos prédios, enquanto os outros três sequestrados foram encontrados em outra construção. De acordo com o Hamas, a operação militar deixou 210 mortos e centenas de feridos. Em nota, Abu Obaida, porta-voz das Brigadas Al-Qassam, braço armado do grupo extremista, advertiu que “a operação representará um grande perigo para os prisioneiros do inimigo e terá impacto negativo sobre suas condições e vidas”.

Os reféns libertados pelas IDF estavam em 7 de outubro passado no festival de música eletrônica Supernova, no kibutz de Re’im, no sul de Israel, a poucos metros da fronteira da Faixa de Gaza. O local foi o primeiro a ser atacado pelos extremistas do Hamas, que chegaram a bordo de picapes, motocicletas e paragliders. Os quatro foram levados de helicóptero para o Centro Médico Sheba de Tel Hashomer, perto de Tel Aviv, onde foram submetidos a exames médicos. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou o hospital e posou para fotos ao lado de cada um dos resgatados e de familiares.

Durante pronunciamento em inglês, Netanyahu disse que a “extraordinária operação” exigiu “coragem do mais alto grau”. “Nossos soldados a realizaram de uma maneira incomparável. Estamos empenhados em conseguir a libertação de todos os reféns. Esperamos que o Hamas liberte todos eles”, declarou. “Mas, caso não o façam, faremos o que for preciso para trazê-los para casa. O Hamas está cometendo crimes de guerra todos os dias. (…) Nossos soldados atuam da forma mais valente e moral para acabar essa guerra com uma vitória contra esses assassinos e sequestradores. Nós venceremos.” Um dos policiais que atuou no resgate, Amon Zmora, morreu após ser ferido.

Pouco depois de visitar Noa no hospital, o estudante Amit Parpara, 26, contou ao Correio que soube da libertação da amiga ao acordar. “Vi vários rumores e troquei mensagens com a família. Foi louco saber que ela tinha sido resgatada!”, celebrou. “Noa é uma pessoa tão amável e afetuosa. Ela disse que pensava em nós o tempo todo, no cativeiro. Noa sorria e brilhava. É incrível ver como ela está agora depois de tudo o que passou.”

“Crime de guerra”
Em entrevista ao Correio, Basem Naim, chefe do Departamento Político do Hamas em Gaza e membro do Comitê Político, classificou a operação de resgate em Nuseirat de “crime de guerra”. “Isso confirma o que sempre temos dito: o plano de Netanyahu e seu governo é continuar o massacre, independentemente das consequências, incluindo as vidas dos prisioneiros. Nós oferecemos um acordo negociado politicamente, mas ele sempre responde com mais massacres”, disse, por meio do WhatsApp. “Netanyahu coloca a vida de sua gente em gravíssimo perigo.”

Professor de relações internacionais da Universidade de Bar Ilan (em Ramat Gan, Tel Aviv), Eytan Gilboa explicou à reportagem que o resgate pode aumentar a popularidade de Netanyahu e reafirmar a tese de que, ante a rejeição do Hamas em aceitar a libertação de todos os sequestrados em troca de um longo cesar-fogo, o único meio disponível é o uso da força. “Israel intensificará os esforços militares para libertar os reféns e destruir as capacidades bélica e de governo do Hamas”, afirmou. Segundo Gilboa, extremistas capturados no front forneceram dados de inteligência para o resgate. 

Basem Naim, ex-ministro da Saúde palestino e chefe do Departamento Político do Hamas em Gaza (foto: Arquivo pessoal

“A meta de Netanyahu desde o início é promover um massacre. Oito meses depois, ele fracassou em alcançar esse objetivo. O Hamas ainda está revidando. Se ele foi bem-sucedido em resgatar esses quatro israelenses capturados, cometendo esses massacres, isso não significa que terá o restante deles da mesma maneira. Ele terá que vir até a mesa de negociação e aceitar nossas demandas.”

Basem Naim, chefe do Departamento Político do Hamas em Gaza e membro do Comitê Político

Fonte: Correio Braziliense

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