Sergipe adquire mais 63% dos produtos da alimentação escolar de agricultores familiares

Os gêneros alimentícios adquiridos pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação, a serem consumidos na merenda escolar, chegam ao patamar de 63% provenientes da agricultura familiar, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) aponta o limite mínimo de 30%. Para comemorar a marca, agricultores familiares e cooperativas agrícolas expuseram seus produtos nesta terça-feira, 25, como parte da programação de inauguração do novo Colégio Estadual Professor Francisco Portugal, em Aracaju.

Sancionada recentemente, a Lei nº 15.226/2025 estabeleceu em 45% o percentual mínimo no Brasil para 2026. Dessa forma, Sergipe já ultrapassa a meta federal. A medida garante alimentos frescos, com qualidade e procedência a cerca de 212 mil refeições diárias servidas nas 318 escolas da rede pública estadual de ensino, com um valor de investimento em torno de R$ 12.537.007,19, até o momento. 

A iniciativa de ampliar a aquisição de gêneros alimentícios dos pequenos agricultores e cooperadores faz parte da política de governo de regionalização do cardápio escolar, além de promover o acesso a alimentos mais saudáveis e com segurança nutricional, garantindo um ciclo econômico mais estável para os pequenos agricultores. “Já passamos da meta nacional. É mais um compromisso firmado. É por isso que temos o produtor rural animado, além de ajudar a circular nossa economia por meio da educação”, afirmou o governador Fábio Mitidieri, ao visitar a feira da agricultura familiar.

Do povoado Sucupira, em Arauá, a cooperativa que leva o nome do local fornece para a merenda escolar abacaxi, macaxeira a vácuo e pão de macaxeira, um dos itens que faz parte da regionalização e diversidade do cardápio escolar. São 35 trabalhadores na Associação Sucupira, dentre eles, Elisangela Rocha dos Santos. “É um meio de renda, de empregabilidade e sustentabilidade para nossas famílias. Além de 35 trabalhadores, são 66 associados cooperados da região”, explica Elisangela Rocha, acompanhada do associado Noel Pereira.

Dos agricultores rurais do agreste ao sertão sergipano para as cantinas escolares chegam batata doce, inhame, maxixe, tomate, farinha de mandioca, banana, tangerina, laranja, hortaliças, entre outros itens, o que significa diversificar o cardápio e gerar segurança nutricional.

O cooperado Jadson Lourenço, da Cooperativa de Produção Agroindustrial e Comercialização do Estado de Sergipe (Coopac), de Poço Redondo, fornece milho verde e melão. Quando participou da primeira chamada pública realizada pelo Governo de Sergipe em 2019, a cooperativa não tinha noção de que ampliaria os negócios para 120 associados. “O trabalho que está fazendo o Governo de Sergipe é único, até porque podemos nos programar com o calendário escolar e começar o plantio para 2026”, afirmou.

Alimentos saudáveis e agroecológicos

O representante das cooperativas dos assentamentos de reforma agrária de Sergipe, Manoel Antônio, destaca que a partir do aumento de volume no plantio dos gêneros alimentícios, os povos do campo, das águas e florestas fixaram-se em seus lugares de origem, sem precisar sair dali para as cidades. “Há um uma geração de renda e trabalho no campo permanente e também de fortalecimento da agricultura no espaço de origem”, afirmou.

A fixação no campo também é citada por Elida Rosa, agricultora individual que vê na merenda escolar a condição de venda certa e oferta de trabalho para os filhos, que também passaram a participar dos negócios agrícolas. “Forneço pepino, cebola, cebolinha, couve, coentro e alface. Estou pretendendo entrar com outras culturas, até porque a experiência tem sido maravilhosa, e também porque aumentei a produção. Agora veio o interesse dos filhos, fiz geração de emprego na comunidade do Rio das Pedras, em Areia Branca”, explicou.

Camarão na merenda

A inclusão do camarão na merenda escolar em unidades de ensino de tempo integral também fortalece o ciclo de pequenos cooperativistas. Da Cooperativa de Produção, Comercialização e Prestação de Serviços dos Agricultores Familiares de Indiaroba e Região (Cooperafir), localizada na zona rural de Indiaroba, Silvio Felício disse já terem saído dos tanques da região mais de 17 toneladas de camarão em 2025. “É um trabalho social muito grande porque atinge outras cadeias de produção, desde o descasque do camarão até a embalagem”, contou.

A secretária da Cooperafir, Júlia Mirão, amplia a voz da cooperativa ao destacar que a inclusão do camarão fortalece a produção, porque mantém o preço durante todo o ano e é venda certa, sem necessitar participar de feiras livres, já que tem a garantia de entrega durante todo o ano.

O secretário de Estado da Educação, Zezinho Sobral, comemorou o momento junto aos agricultores. Ele lembrou dos programas Camarão na Merenda e do Barriguinha Cheia, que promovem diversidade nutricional e segurança alimentar. “É uma oportunidade de reconhecer e agradecer essa eficiência da compra, na aquisição da merenda escolar diretamente da agricultura familiar.  A gente comemora com o atingimento de mais de 60% oriundos de cooperativas e produtores independentes que fornecem em dia, com qualidade, do agricultor para a mesa escolar”, ressaltou.

De acordo com a diretora do Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria de Estado da Educação (DAE/Seed), Lucileide Rodrigues, a participação da agricultura familiar e cooperativas na alimentação escolar de Sergipe representa um marco. “Faz toda a diferença para os estudantes e para a economia. A gente oferta a alimentação saborosa, nutritiva e com segurança alimentar dos nossos alunos.

Fonte: SEED/SE

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